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Spread e tecnologia levam bancos a nova fase de corte de custos

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Spread e tecnologia

Os grandes bancos brasileiros têm índices de eficiência que os colocam entre os melhores do mundo nesse quesito, mas os spreads altos praticados no país dão um empurrãozinho para isso ao sustentar uma estrutura pesada de custos operacionais.

Agora, com as margens das operações de crédito em queda - ainda que em ritmo lento -, as instituições atravessam uma nova rodada de revisão de despesas.

A onda atual é amplamente baseada em tecnologia, principalmente em processos da porta para dentro. Inteligência artificial, "machine learning" e sistemas baseados em nuvem têm entrado em cena tanto para tornar a estrutura mais leve quanto para aprimorar modelos de análise de crédito e prestação de serviços.

"Há um esforço grande para acabar com o papel nos processos bancários. O sonho de consumo é contratar tudo de forma digital", diz André Cano, vice-presidente do Bradesco. A expectativa dele é que a maioria dos trâmites de atendimento seja digitalizada nos próximos dois anos.

Também se vê um processo de abertura de agências digitais, que com o tempo devem substituir as físicas. Mas isso ainda não ocorre de forma acelerada.

Não que o binômio fechamento de agências e demissões esteja fora do radar. Mas é muito mais consequência da transformação tecnológica e não o mote dos programas de melhoria de produtividade, diferentemente do que se viu em outros momentos. Nesse caso, a exceção fica por conta dos bancos estatais, que fizeram programas de enxugamento nos últimos anos.

O caminho é longo, porém. Estudo da Roland Berger afirma que os bancos brasileiros ainda carregam ineficiências e poderiam economizar de R$ 50 bilhões a R$ 100 bilhões por ano a partir de uma ampla revisão de processos. "Em muitos aspectos, ainda se faz banco no Brasil como se fazia nos anos 70", diz António Bernardo, presidente da consultoria alemã.

O levantamento, obtido pelo Valor, mostra que as grandes instituições financeiras do país são até mais eficientes que pares internacionais pela métrica tradicional, quando se comparam despesas e receitas operacionais. Sob esse critério, o índice de eficiência dos cinco maiores bancos brasileiros está entre 40% (Santander) e 50,6% (Caixa). Enquanto isso, os europeus ficam em média com 62,1% e os americanos, com 59,6%. Quanto menor o percentual, maior a eficiência. Índices abaixo de 50% são considerados bons.

No entanto, para a Roland Berger, trata-se de uma falsa sensação de eficiência, camuflada pelos altos spreads - diferença entre a taxa de captação e a cobrada nos juros dos financiamentos - praticados no país. Como a margem financeira dos bancos brasileiros é elevada, é possível acomodar um volume grande de despesas e ainda assim apresentar um bom indicador. "Basta olhar para sua própria experiência para ver que os bancos não são tão eficientes assim", afirma Wander Azevedo, diretor da área de instituições financeiras da consultoria.

Para eliminar o efeito da margem financeira no indicador, o estudo propõe um cálculo alternativo da eficiência bancária, que adota a relação entre despesas e ativos totais. Nesse caso, o desempenho dos brasileiros é bem pior que o dos americanos e, especialmente, dos europeus. Entre os cinco grandes do país, o indicador varia entre 2,8% (Banco do Brasil) e 3,6% (Bradesco). A média é de 1,5% para os bancos da Europa e de 2,5% para as instituições dos Estados Unidos.

O indicador alternativo deve ser visto levando-se em conta que há diferenças na estrutura de capital das instituições. Os bancos brasileiros costumam ser menos alavancados que os estrangeiros e, portanto, têm uma base de ativos menor por concederem menos crédito. A implantação plena das regras de Basileia 3, no entanto, deve aproximar os modelos. Também é preciso considerar que bancos que têm uma fatia maior de sua receita oriunda de serviços - seguros, por exemplo - ficam "menos eficientes" nesse tipo de comparação, já que essas operações passam pelo resultado, mas não pelo ativo.

Outro estudo, elaborado pela fintech de crédito Creditas, sugere que os bancos brasileiros são pouco produtivos na originação de crédito, e a consequência disso se vê no spread. Enquanto a rede de atendimento nos Estados Unidos é duas vezes maior que no Brasil, cada agência americana produz um volume de crédito que, em média, é 12,2 vezes superior ao de uma agência brasileira.

"Se você tem custo similar e produz menos, tem de cobrar um spread maior para compensar isso", afirma Sergio Furio, fundador e presidente da Creditas.

Para ele, a raiz do problema está no tipo de crédito que mais se oferece no país - que por sua vez reflete o histórico brasileiro de inflação e juros altos. São, em geral, linhas de prazo curto e taxas mais elevadas, que requerem um esforço de vendas contínuo dos bancos para rentabilizar sua estrutura.

É, de certa forma, o paradoxo do ovo e da galinha. Uma estrutura pesada de custos exige que os bancos cobrem caro para obter retorno, e ao mesmo tempo esses produtos de giro mais rápido impõem custos altos.

A expectativa é que a estabilização da economia num patamar mais baixo de juros e a nascente competição das empresas de tecnologia financeira possam alterar esse quadro. "As fintechs estão forçando os bancos a reagir. Não pelo volume, mas pela potencial ameaça", diz Furio.

Embora a busca de eficiência seja um tema recorrente, tem ganhado força no sistema financeiro diante do aumento da concorrência tanto de instituições tradicionais quanto de fintechs e cooperativas de crédito, afirma o diretor de controladoria do Banco do Brasil (BB), Márvio Freitas.

A boa notícia, de acordo com o executivo, é que essa melhora está mais alinhada do que nunca com a exigência dos clientes de maior conveniência no acesso aos serviços bancários.

Nos últimos anos, o BB passou por um amplo processo de melhoria de eficiência, que reduziu a distância em relação aos bancos privados. Um programa de aposentadorias voluntárias e fechamento de agências anunciado no fim de 2016 ajudou muito. Também houve mudanças no desenho dos escritórios, medidas de economia de energia e abriu-se a possibilidade de "home office".

Mas, segundo Freitas, o maior potencial está na revisão de processos com uso de tecnologia, como assinatura digital e redução da exigência de papelada. "Melhora a eficiência e reduz a percepção de tempo no atendimento aos clientes", diz. "Os bancos terão mais lojas e menos cartórios."

Em recente entrevista ao Valor, o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou que não há ineficiências, mas grande potencial de ganho de eficiência com uso de tecnologia. O executivo citou como exemplos a migração de sistemas para a nuvem e o uso de inteligência artificial e "machine learning" nos modelos de crédito.

Há três frentes em que a tecnologia permite tornar a operação mais eficiente, segundo Alexsandro Broedel, diretor-executivo de finanças e relações com investidores. Uma delas é a interface com os clientes, com menos contas físicas e envio de cheques e cartões, por exemplo. As outras são o tratamento de dados, que permitem análises mais precisas, e a modernização dos chamados sistemas legados - como é conhecida a estrutura antiga dos bancos, herdada das aquisições feitas pelo caminho.

O potencial de melhorias esbarra em algumas "jabuticabas". A geografia brasileira é uma delas. Não é barato mandar dinheiro de barco para regiões remotas, nem lucrativo manter agência em áreas pouco populosas. A outra é a segurança, que impõe custos elevados para proteger a rede de atendimento e repor caixas explodidos país afora. O tema é de esfera municipal, mas tramita no Congresso um projeto para federalizar as regras.

"O contexto local envolve logística, distribuição de numerário, segurança e questões trabalhistas. Não é que os bancos aqui sejam menos eficientes", afirma Cano, do Bradesco.

Parte dessas questões pode ser atenuada com mudanças no modelo de atendimento. À medida que avançam as contas digitais, as agências tendem a se tornar locais de relacionamento e não de transações. Sem necessidade de cofre e numerário, essas unidades terão custo bem menor ao da rede física tradicional, diz Cano.

No Itaú, esse modelo vem sendo testado em quatro agências na cidade de São Paulo, afirma Broedel. Porém, o executivo não vê um movimento acelerado de fechamento ou substituição das agências convencionais. Segundo ele, embora 10 milhões de clientes do banco já usem os canais de atendimento pelo celular, o movimento na rede física voltou a crescer nos últimos meses, com a retomada da economia. "Não posso simplesmente sair fechando agência", diz.

Procurados, Caixa e Santander não concederam entrevistas.

Fonte: Talita Moreira, do Valor

Fonte: FinTechs Press

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