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Cartão sem tarifa vai atingir mais usuários

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Cartão sem tarifa

A demanda por cartões sem anuidade pode alcançar a preferência de 95% dos usuários no ano. Atualmente, 85% dos consumidores buscam a modalidade. A expectativa é que, com a crescente concorrência, novos produtos financeiros sem tarifas surjam no setor

Os dados são de um levantamento feito pela Triunfei, plataforma de comparação de produtos financeiros, com base em 300 mil consultas mensais. As contas sem tarifas aparecem em segundo lugar na pesquisa, com 60% de preferência dos usuários.

“O alto custo dos usuários em manter cartões de crédito tem aumentado a busca por novas modalidades do plástico. Como muitas novas fintechs acabaram entrando nesse mercado, isso também tem pressionado por uma adaptação constante dos grandes bancos”, explica o engenheiro de software sênior da Trinfei, Leonardo Nicolau.

Ele reforça ainda que, com a crescente mudança de oferta e novas formas de operações, a tendência é de maior concorrência, mudança na política de usuário e, consequentemente, de uma maior demanda pelo produto.

“A expectativa é que em um espaço de cinco a seis meses cerca de 95% dos usuários já prefiram a modalidade”, complementa.

Ao mesmo tempo, a expansão da característica com foco em pagamento por serviço prestado e não por anuidades e tarifas também já pode ser vista em outros mercados.

De acordo com o CEO do Neon, Pedro Conrade, a amplificação no portfolio de serviços e produtos financeiros oferecidos por fintechs nesse viés já mostra um “crescimento exponencial” de clientes, apesar de ainda serem relativamente pequenas quando comparadas aos grandes bancos.

“Já tem acontecido paralelamente em diversos mercados, onde corretoras, empréstimos e contas já têm foco na experiência do cliente e, não, nas tarifas. A questão é apenas a velocidade com a qual isso acontece e quem conseguirá acompanhar”, afirma.

Da mesma forma, o CEO do Pag!, Victor Farias, pondera a atuação do Banco Central (BC) como um forte propulsor, onde “as regulações acabam chegando para ajudar ainda mais o mercado”.

“O problema é que grande parte dos usuários ainda estão acostumados a ter o cartão de crédito na carteira e essa mentalidade não muda fácil. Mesmo assim, a aceitação tem sido enorme e só tende a crescer”, acrescenta Farias, do Pag!.

Resposta lenta

Da outra ponta, ao mesmo tempo em que a entrada de novos players tem pressionado por respostas cada vez mais rápidas dos bancos, os executivos entrevistados pesam a dificuldade que essas instituições têm em acompanhar as constantes mudanças no setor.

“A vantagem de ser pequeno é a velocidade com as quais podemos tomar decisões e trazer soluções ao mercado. Os grandes bancos têm muito dinheiro, capacidade e clientes, mas a agilidade na resposta ainda falta”, comenta Conrade.

“Por isso, cada vez mais, vemos parcerias acontecendo.”

Só no primeiro semestre, por exemplo, os quatro maiores bancos do País (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) somaram R$ 6,801 bilhões com receitas de prestação de serviços e tarifas especificamente relacionadas à cartões.

O montante representa alta de 3,9% em relação a igual período do ano passado (R$ 6,544 bilhões). O valor também corresponde a 24,4% do total das receitas com serviços e tarifas em 2018 (R$ 27,817 bilhões).

Para Farias, do Pag!, apesar do esforço dos grandes bancos em acompanhar a trajetória digital e sem anuidade do produto, muitos ainda não se adequaram completamente e também sentirão a pressão da concorrência das fintechs.

“As novas regras de portabilidade, por exemplo, acabam favorecendo as iniciativas e muitos bancos pequenos podem não sobreviver se não se adaptarem. Esses movimentos já começam a mexer o mercado e ainda vai impactar e crescer muito mais”, declara.

Contactados pelo DCI, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank não responderam até o fechamento. O Itaú, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que já soma mais de dois milhões de propostas relativas aos cartões sem anuidade Credicard Zero (nacional e internacional) e o Credicard Mastercard Black.

Fonte: Isabela Bolzani, do DCI | Imagem: Pixabay

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